Sou mais que um pelo tato,
pelo que vejo e gosto,
pelo que não digo e ouço,
por quanto adivinho
pelo que sei e ignoro.
No sonho esvaído em fato,
e por dentro e no rosto,
no que afasto e acarinho
fico impregnadamente.
Fora de mim me vejo
e em tudo, tristemente,
todo me sofro e beijo.
Em tédio ou em desejo,
sou inquieto cais
em que a vida quebrou.
Ai! Assim estou e sou
Por que existo demais. 
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