Quantos beijos ou passos ou minutos
Restarão entre mim e meus ponteiros?
E que deles farão dedos astutos,
Ansiosa boca, pés que andam certeiros?
De minhas nuvens quem serão herdeiros?
No arco-íris entre relva e ouro de frutos
Quem passará os olhos forasteiros?
Terra, folhas e liquens já corruptos
Será meu corpo em férias, neutro o sexo
E desmanchado o involuntário nexo
Da instante máquina de ser e amar.
E que se tornarão meu magro riso,
Meu som de sombra, tanto doer sem viso,
Suja tristeza de promíscuo mar? 

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